Manifesto sobre IA na fotografia
Ou uma homenagem à imperfeição humana
Vivemos num tempo em que tudo se gera.
Imagens, vídeos, vozes, rostos. Casamentos que nunca aconteceram, em locais que não existem, com pessoas que nunca lá estiveram. Tudo cada vez mais perfeito. Tudo cada vez menos verdade.
Para nós, a inteligência artificial é uma ferramenta. Nada mais.
Não substitui o momento.
Não substitui as pessoas.
Não substitui o nosso olhar sobre elas.

Um casamento não se gera. Vive-se.
E para o registar é preciso lá estar do princípio ao fim. Reconhecer o gesto antes de ele acontecer. Sentir o peso do silêncio antes do "sim". Ler a sala. Saber quando levantar a câmara e quando esperar. A narrativa do vosso dia constrói-se porque a vivemos convosco. Porque sentimos o nervoso da manhã, o calor do abraço, o cansaço das três da manhã. Porque escolhemos, em cada segundo, o que merece ficar.
Isto não se automatiza. Não se replica. Não se gera.
Acreditamos na imperfeição.


No cabelo que se solta. Na lágrima fora de tempo. No riso que não estava no guião. No sapato descalço por baixo da mesa. São essas imperfeições, e as perfeições inesperadas que vêm com elas, que tornam o vosso dia vosso, e não de outros.
O mundo gerado é perfeito demais para ser verdadeiro.
O vosso dia não precisa de ser perfeito.
Precisa de ser vosso.

Isto é o que fazemos.

Estamos lá. Vemos. Registamos.
Devolvemos-vos o vosso dia como ele foi, não como poderia ter sido. Não como uma máquina o imaginaria, não como um algoritmo o completaria.
Como aconteceu, com quem aconteceu, no momento em que aconteceu.